O que é Open Investment e o que muda com as novas regras do Open Finance?
Em maio de 2026, as interfaces de investimentos do Open Finance brasileiro registraram 4,9 bilhões de chamadas bem-sucedidas em um único mês. Cada uma dessas chamadas é uma instituição consultando, com autorização do cliente, dados de um CDB, de um fundo ou de uma carteira de ações guardados em outra instituição. Há três anos, isso simplesmente não existia.
O nome dessa engrenagem é Open Investment. E ela voltou ao noticiário na semana passada: em 22 de outubro de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central aprovaram a Resolução Conjunta nº 21, que endurece as regras sobre quem pode receber os dados compartilhados pelo Open Finance e como eles podem ser usados.
Para entender por que a mudança importa, vale começar pelo básico.
O que é Open Investment?
Open Investment é a etapa do Open Finance que permite ao cliente compartilhar, se quiser, os dados dos investimentos que mantém em uma instituição com outra instituição de sua escolha. Na prática, quem tem um CDB em um banco, ações em uma corretora e um fundo em uma terceira instituição pode autorizar que uma delas enxergue tudo, de forma consolidada.
A fase começou em 29 de setembro de 2023, segundo o Banco Central. Até ali, o Open Finance já permitia compartilhar dados de contas, cartões e operações de crédito, além de iniciar pagamentos entre instituições. O Open Investment levou a mesma lógica para o patrimônio investido.
Um ponto que costuma gerar confusão: Open Investment não é sinônimo de Open Finance. O Open Finance é o sistema completo; o Open Investment é uma de suas partes, dedicada aos investimentos.
| Conceito | O que é | O que cobre |
|---|---|---|
| Open Banking | Primeira fase do sistema financeiro aberto | Dados de produtos bancários tradicionais |
| Open Finance | O sistema completo, ampliado | Contas, crédito, pagamentos, investimentos, câmbio e outros |
| Open Investment | Uma etapa do Open Finance | Dados de investimentos |
Quais investimentos entram no Open Investment?
De acordo com o Banco Central, o escopo da fase inclui:
- Renda fixa bancária: CDB, RDB, LCI e LCA;
- Renda fixa de crédito: CRI, CRA e debêntures;
- Títulos públicos federais do Tesouro Direto;
- Fundos de investimento: renda fixa, ações, cambial e multimercado;
- Renda variável: ações e cotas de fundos de índice (ETFs) listados em bolsa.
Os números mostram onde o uso está concentrado. Das 4,9 bilhões de chamadas de maio de 2026, 72% foram de renda fixa bancária, seguida por renda variável, fundos, Tesouro Direto e renda fixa de crédito, segundo dados apresentados à Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Em outras palavras: o brasileiro está compartilhando, sobretudo, o produto que mais tem, que é o CDB.
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Como funciona o compartilhamento de dados de investimentos?
O fluxo é o mesmo de todo o Open Finance e depende sempre de uma ação do cliente. Não há aplicativo específico nem cadastro centralizado: segundo o Banco Central, não existe uma plataforma única justamente por motivos de segurança.
- Consentimento. O cliente entra no app ou no internet banking da instituição que vai receber os dados, procura a opção “Open Finance” e escolhe quais informações quer compartilhar, de qual instituição e por quanto tempo.
- Autenticação. Ele é direcionado à instituição que guarda os dados e confirma a identidade com o login que já usa ali.
- Confirmação. O cliente revisa o pedido e autoriza. A partir daí, a troca acontece diretamente entre as duas instituições.
O consentimento tem finalidade definida e prazo máximo de 12 meses, segundo a Estrutura de Governança do Open Finance, e pode ser revogado a qualquer momento em qualquer uma das duas instituições. O compartilhamento é gratuito.
Para que serve o Open Investment?
Para o investidor, o principal benefício é a visão consolidada: saber quanto tem, onde, com qual rentabilidade e com qual concentração de risco, sem abrir cinco aplicativos. A partir dessa visão, instituições podem oferecer recomendações mais aderentes, taxas mais competitivas para trazer o investimento e assessoria baseada na carteira real, e não em um questionário preenchido uma vez.
Para o mercado, o efeito é de concorrência. Quando a instituição que guarda o investimento deixa de ser a única a conhecê-lo, o cliente passa a ter poder de barganha. É o mesmo princípio que levou o Open Finance a ganhar escala: o sistema somava 211 milhões de consentimentos ativos em maio de 2026, alta de 148% em 12 meses, com quase 126 milhões de consentimentos únicos, indicador mais próximo do número de pessoas e empresas conectadas, segundo a ABBC.
Mas há um efeito menos comentado. Dados de investimento são, na prática, dados de patrimônio. E patrimônio é uma das informações mais valiosas que existem, tanto para quem concede crédito quanto para quem tenta cometer uma fraude.
O que muda com a Resolução Conjunta nº 21
É aqui que entra a notícia de outubro. Com o crescimento do ecossistema, multiplicaram-se os contratos de parceria: acordos em que uma instituição participante do Open Finance repassa dados a empresas parceiras que não são autorizadas pelo Banco Central. A nova resolução aperta as regras desse arranjo. Entre as mudanças anunciadas pelo BC:
- consentimento específico para cada parceira: o cliente passa a autorizar, uma a uma, as empresas que vão receber seus dados;
- dever de monitoramento: a instituição participante responde por fiscalizar o que suas parceiras fazem com os dados;
- mais informação ao cliente sobre quem acessa seus dados e para quê;
- mecanismos para interromper o compartilhamento em situações que representem risco à segurança, e restrições adicionais contra o uso inadequado;
- responsabilidade da diretoria e do conselho das instituições participantes pelo monitoramento e pela conformidade.
A mesma resolução também abre caminho para jornadas mais flexíveis, em que o consentimento na instituição que recebe e na que transmite os dados pode acontecer em momentos diferentes. No caso de empresas, ele poderá ser dado por usuários distintos, de acordo com o fluxo interno de aprovação. É um sinal claro de que o próximo passo do Open Finance é ganhar escala também entre pessoas jurídicas.
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Open Investment é seguro?
As instituições participantes precisam ser autorizadas pelo Banco Central, seguir as regras de segurança cibernética do sistema e usar certificados de segurança em padrão internacional. Os dados trafegam apenas entre as duas instituições envolvidas, e o compartilhamento só acontece depois das três etapas de consentimento, autenticação e confirmação.
O ponto frágil, como em quase todo o sistema financeiro, é o fator humano. O próprio Open Finance Brasil orienta: se você desconfiar de um pedido de compartilhamento, fale com a instituição que o enviou antes de consentir. Um golpista que convence a vítima a autorizar um acesso não precisa quebrar nenhuma criptografia. Por isso, as regras de outubro miram exatamente o elo entre o consentimento e o uso do dado.
Para as empresas, a lição é a mesma que vale para Pix, cadastros e checkouts: quanto mais valiosa a informação, mais ela precisa vir acompanhada de validação de identidade. É a mesma lógica que levou o Banco Central a exigir o cadastro de novos dispositivos para o Pix, tema que exploramos no artigo sobre fingerprint antifraude e análise de dispositivo.
Sua empresa concede crédito e está revendo o que muda para 2027? O artigo Política de crédito 2027: o que revisar antes de virar o ano? mostra os indicadores e as regras que entram no radar. Se a preocupação é golpe, veja os golpes mais comuns do fim do ano.
O que o Open Investment sinaliza para empresas fora do mercado de investimentos
O Open Investment nasceu para investidores, mas o movimento que ele representa vai além das corretoras. Em três anos, o Brasil construiu uma infraestrutura em que o cliente leva seus dados financeiros para onde quiser, com consentimento, e a regulação passou a cobrar com mais rigor de quem recebe esses dados.
Para quem decide crédito, isso significa uma visão mais completa da capacidade financeira do cliente, sempre com consentimento e finalidade declarada. Para quem previne fraude, significa um ambiente com mais sinais disponíveis e, ao mesmo tempo, mais tentativas de enganar o titular dos dados. Nas duas frentes, a regra é a mesma: dado sem validação de quem está do outro lado é risco, não vantagem.
A B2e Group acompanha esse movimento há 13 anos, atuando em decisão de crédito e prevenção à fraude para empresas de varejo, e-commerce, turismo, telecom e serviços financeiros.
Em resumo
- Open Investment é a etapa do Open Finance que permite compartilhar dados de investimentos entre instituições, com consentimento do cliente.
- Começou em 29 de setembro de 2023 e cobre renda fixa bancária, renda fixa de crédito, Tesouro Direto, fundos, ações e ETFs.
- Em maio de 2026, as interfaces de investimentos somaram 4,9 bilhões de chamadas em um mês, com 72% concentradas em renda fixa bancária.
- A Resolução Conjunta nº 21, de 22 de outubro de 2026, aperta as regras de parcerias, exige consentimento por parceira e abre caminho para jornadas mais flexíveis, inclusive para empresas.
O Open Finance não para de mudar, e a próxima resolução já está a caminho. Assine a B2e News e receba as principais notícias de crédito, antifraude e regulação, com a análise do que muda para a sua empresa. Quero assinar a B2e News
Perguntas frequentes sobre Open Investment
É a etapa do Open Finance que permite ao cliente compartilhar, com consentimento, os dados dos investimentos que mantém em uma instituição com outra instituição participante. A fase começou em 29 de setembro de 2023.
O Open Finance é o sistema financeiro aberto como um todo, que inclui contas, crédito, pagamentos e investimentos, entre outros. O Open Investment é a parte dele dedicada ao compartilhamento de dados de investimentos.
O cliente autoriza o compartilhamento no app da instituição que vai receber os dados, confirma a identidade na instituição que os guarda e revisa o pedido antes de aprovar. O consentimento tem finalidade definida, prazo de até 12 meses e pode ser revogado a qualquer momento, sem custo.
A resolução, de 22 de outubro de 2026, exige consentimento específico para cada empresa parceira que recebe dados, reforça o dever de monitoramento das instituições participantes, prevê a interrupção do compartilhamento em situações de risco e abre caminho para jornadas de consentimento mais flexíveis, inclusive para pessoas jurídicas.